Quando eu tinha uns seis anos eu adorava que minha mãe lesse pra mim antes de dormir. Em casa nós tínhamos (e ainda deve ter) uma coleção com histórias ilustradas da Bíblia ou algo do tipo.

Nós nunca fomos religiosos, na verdade nem sei da onde vieram esses livros. Minha mãe e minha irmã às vezes vão em centros kardecistas e meu pai também ia muito raramente. Minha família é bem estranha neste ponto, mas isso eu conto em outro post…

Enfim… Com seis anos eu não tinha muita noção das coisas (óbvio!), então aquilo pra mim era como, sei lá… conto de fadas?! mas eu acreditava mais que tinha acontecido de verdade, entendem? E minha mãe lia pra mim sem cortar as partes violentas, nem nada… Tinha tudo lá: traição, violência, bebedeira… Vai ver isso influenciou meu “comportamento exemplar” hoje. E eu também não tinha noção de que aquilo era algo religioso e blablablá. Pra mim eram histórias super emocionantes, com herói, bandido e tudo mais. E eu até falava pra minha mãe “lê de novo” quando acabava…

Lembrei dessa história por que terça-feira vi na Paulista um carro com um adesivo escrito (Jesus leão da tribo de Judá), o que me fez lembrar da minha história favorita: Sansão. O motivo é o mais bizarro: uma da primeiras ilustrações mostrava ele matando com uma chave de braço um leão que invadiu a aldeia. Nem preciso dizer que eu ficava puta da vida e quando ele morria no final eu ficava triste (claro! a mulher o trai e ele morre), mas ficava levemente feliz…

“coitado, mas deve ser castigo por ter matado o leão no começo da história! bem-feito…”