Aproveitando o recente lançamento do terceiro filme da saga Crepúsculo, da autora Stephenie Meyer, decidi fazer um post falando sobre a bendita história. Eu concordo muito com este texto do Pablo Villaça, no site Cinema em Cena, mas gostaria de pontuar aqui algumas coisas tendo como foco na história do livro.
Tentei ler a saga dos vampiros por que fiquei curiosa sobre esta história de que todos falavam e também acredito que para se ter opinião sobre algo, mesmo que seja negativa, é preciso conhecer. Eu tinha preconceito quanto a J. K. Rowling, mas minha impressão começou a mudar assistindo os filmes do Harry Potter e me dei como “prêmio” ao terminar a faculdade a leitura dos livros. O resultado é que eu virei pottermaníaca, adoro a série, a forma como ela escreve e como soube contar uma história baseada em tantas outras já existentes.
Stephenie Meyer não soube fazer isso, ela escreve mal. Não consegui passar da metade do terceiro livro, pois não aquentava mais ler a mesma expressão várias e várias vezes. Se o problema fosse apenas a trama, acredito que teria conseguido chegar ao fim, mas ter que ler “o rosto perfeito de Edward” cada vez que o vampiro entrava em cena se tornou um martírio. Se a autora não conseguiu reinventar novas formas para descrever as sensações de seus personagens, então imagine o que é ler mais uma história a la Romeu e Julieta de novo…
Eu não sou uma grande conhecedora de vampiros e deste universo tão rico. As referências que tenho remetem a um personagem enigmático, intelectual, maduro e extremamente sexy. A eternidade dá a estas figuras um profundo conhecimento sobre o mundo e uma cultura infinitamente rica. Além disso, precisam escolher entre perder todos aqueles que amam ou destiná-los a mesma maldição, o que os tornam personagens solitários e que tem uma relação muito conturbada quando humanos entram no jogo.
Estes elementos são cortados por Meyer, que constrói personagens bem rasos por sinal. Os vampiros são bonzinhos, pois eles não se alimentam de sangue humano, eles não são solitários, por que vivem em família, são atraentes, mas pouco sexualizados e todos vivem em relação monogâmica, com exceção de Edward, que tem mais de 100 anos e se apaixona por uma menina desinteressante, louca e auto-destrutiva de 16 anos. Quando se descobre que a autora é mórmon muito disso faz sentido.
Já a parte intelectual, é praticamente inexistente. Se não me falha a memória, são citados duas obras literárias na história: Romeu e Julieta e Morro dos Ventos Uivantes, pouco considerando que um dos personagem já viveu mais de um século, mas como os diálogos tratam quase exclusivamente sobre o relacionamento, são citados bem rapidamente. Gostaria de entender por que as mulheres suspiram tanto pelo protagonista: ele não é engraçado, não tem conversas interessantes e recusa sexo. Então, se sua namorada/esposa disse que você não é como o Edward, sinta-se lisonjeado.
Some a este tipo de vampiro uma heroína cuja personalidade está restrita a um sentimento doentio, que esquece sua família por causa de um cara e que desiste de qualquer atividade que não envolva Edward, inclusive estudar. Perceba o tipo de modelo feminino as adolescentes fãs da saga têm.
E quanto ao ar enigmático dos vampiros: Bella descobre tudo antes do final do primeiro livro…
O lobisomem Jacob é o personagem mais honesto da saga: um menino de 16 anos, apenas isso, e a tentativa de criar um triângulo amoroso perde a graça cada vez que Edward aparece e Bella sai correndo que nem um poodle tarado atrás da almofada.
Para mim, um bom livro é aquele que me faça sentir saudades da sensação que tive quando o li pela primeira vez. Meyer não é uma boa escritora, não conta uma boa história e não tem personagens interessantes. Tenho esperança de que os fãs um dia despertem e que não se contentem com tão pouco, por que essa é a parte mais triste de toda a saga.
Publicado em julho 7, 2010
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